terça-feira, 1 de março de 2011

Fotojornalismo, violência e arte

Muito se percebe nas bancas de jornal e em ambientes de trabalho, quando acessado os portais de jornalismo na internet, as pessoas comentando das fotos e/ou comprando impressos com imagens sensacionalistas de horror.

Se observarmos as fotos de assassinatos, desgraças de enchentes com desabamentos, terremotos, fome e até mesmo agora que estamos no certo apelo Haitiano notamos que estas abalam a ponto de encher de lágrimas os olhos de algumas pessoas, ou até mesmo fazer com que outras teçam comentários do tipo: “Nossa eu não teria coragem de fazer uma foto dessas e muito menos estar num lugar desses.” Mas implicitamente o convívio com estas imagens fotográficas de sofrimento faz com que as pessoas tanto sejam paralisadas e com o passar do tempo tornam-se comuns.



A ação de tornar comum ver imagens de sofrimento / violência ocorre ao fato de que depois que viu as ditas “imagens fortes” pela primeira vez, o estarrecimento já ocorrera e o impacto deixa de ser o primeiro. Um evento / tragédia seqüenciada por fotos, é mais bem compreendida que apenas decifrada por texto. Atualmente portais de notícias como G1, Uol, Terra, Ig e o histórico Daily News (Jornal de Imagens de Nova Iorque ) recebem bombardeios de visitas porque tem as galerias de imagens e infográficos do dia ou galeria específica das catástrofes recém acontecidas.

“As fotos foram vistas como um modo de dar informação para as pessoas que não sabem ler.” Susan Sontag

Nota-se que as fotos do recente terremoto no Haiti estão de certa forma menos em ênfase que as da queda do poder do ditador Egípcio e que estão atrás da queda do da Líbia. A agressividade é tanta e com tanta freqüência que de tempos pra cá, não é mais novidade ver carros boiando em ruas e avenidas, tanques de guerra nas ruas, gente com fome, situação de calamidade,  soldados espalhados por todo canto e cenas de guerra. Essa exposição da violência está tão rápida e tão difundida que numa espécie de anestesia, ficamos fadados e acostumados a essa violência visual que despercebidamente colocamos a desgraça como arte. No que a fotografia nunca deixou de ser arte como também comprova o documental, tanto no registro quanto na presença do ser humano que esteve no local para executar o processo fotográfico.

A cena catastrófica já faz parte do dia a dia das pessoas fazendo assim com que a agressividade visual e a injustiça sejam algo que em dado momento, já fora um “choque” na vida de quem recebeu a informação e que atualmente o horror é comum e rotineiro. O que acontece é que as fotos só carregam sentimentos para os que vivem a época / determinada situação do horror, mesmo assim o bombardeio de imagens é tanto que na verdade só carrega a emoção quem vive a catástrofe / horror.



Nota-se que com o passar dos anos a fotografia vai sumindo com o valor emocional carregando  apenas ao valor histórico como podemos citar por exemplo, fotos da 2ª Guerra Mundial. Não chegamos a chorar deparar com uma foto de holocausto, porém o valor histórico desse registro vale mais do que muitas lágrimas que foram derramadas por causa desta. Independente de ser profissional ou não, uma fotografia executada por longa data, carrega um valor histórico inestimável fazendo assim com que colecionadores de fotos desconhecidas agreguem outro tipo de carga emocional.

A fotografia pode ter valores agregados conforme o contexto histórico, processo, data e mecanismo na qual foi produzida. Podemos dizer que uma fotografia é uma obra autêntica confeccionada, acredita-se, que por apenas um fotógrafo disparador. Ela carrega esse contexto nominal de autenticidade porque como exemplo, as galerias de imagens dos portais citados acima, muitas vezes são de uma mesma temática, de uma mesma atrocidade,  mas composta por partículas (fotografias) de diversos fotógrafos uma vez que não há limites para fotografar uma mesma cena da realidade social a qual não será uma grande novidade para muitos que estão familiarizados.

O sucesso dos fotojornalistas atuais está na busca, não da foto documental e sim do melhor ângulo, melhor composição, melhor foto da cena rotineira que ainda assim sendo algo comum, faça uma pessoa olhar para a foto e ficar minutos e minutos congelados, observando, tirando conclusões e imaginando o antes, o durante e o depois daquele instante de tempo congelado por um disparo bem composto e digno de fantasiar a mente do observador.


Foto: Reinaldo Marques/Terra

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