Desde o surgimento da fotografia muito se fala em que - fotos são imagens idealizadas – discute-se até então que a fotografia não era uma arte por ser apenas um mero meio de registro. Ainda na mente de muitos fotógrafos amadores, a bela imagem é aquela clichê da flor bonita com uma borboleta bonita em um lugar totalmente florido onde o verde e as cores “gritam” mais do que qualquer coisa.
Esta ótica pode ser baseado nas palavras do meu novo amigo fotógrafo João Correia Filho: “fotografar o deserto do atacama, até um cego traz boas fotos pois o lugar é lindo com uma luz perfeita e composições paradisíacas.”
Nesta mesma linha, em 1915, Edwad J. Steichen faz uma foto de uma garrafa de leite que mexe com o conceito de “boa foto”
Julgar uma fotografia entre o que é belo e o que não é belo, é assinar a sentença cultural e estética uma vez que nas palavras do poeta norte americano Walt Whitman, “ Todo objeto ou condição ou combinação ou processo exibe uma beleza”. É comum um fotógrafo ouvir de ignorantes de arte coisas do tipo:
_ Porque que você fotografou uma escada ?
_ O que você quer dizer com esta torneira?
_ O cara fotografa fios no poste !
O discutir do “belo” é ser inteligente para antes de qualquer menção, colocar que se algo foi fotografado, é porque foi atribuído uma certa importância. Para a beleza não há valor e nem importância mais para um que para outro. Uma foto ou uma obra de arte seja ela qualquer, já foi tratado com pouco caso por Andy Warhol dizendo que todo mundo é uma celebridade “todo mundo é artista”. E quem diz então que para ser celebridade precisamos ser um homem ou uma mulher bonita com cabelos bonitos, traços bonitos, olhos bonitos... (não existe padrão para a beleza)
O artista fotográfico ouve tanta bobagem de terceiros que por um instante dá até aquele súbito nervoso e depois passa por um sentimento de pena. Analisar mercado é analisar o que é comercial e para qual finalidade será usado o seu trabalho, tipo de público! Existe o público da arte e existe o público para o deserto do atacama ou até mesmo para a florzinha com a borboleta, afinal natureza, bicho de estimação e criança vende quase que em qualquer hipótese. Tem gente que gosta do azul, tem gente que gosta do PB, tem gente que gosta de todos os presets de lightroom, tem gente que gosta de iso alto, iso baixo, 10x15, 30x40 fine art, fotolivro...
Afinal, do que você (fotógrafo) gosta? O fotógrafo antes de qualquer coisa tem que gostar da vida e saber estabelecer as importâncias nas imagens e afins, que estará pré disposto a fotografar. Nas sábias palavras do Andy Warhol, você é o artista – é você mesmo, foi promovido. Você tem seu estilo, define as prioridades e se as pessoas vão gostar ou vão comprar é outro problema pois o que agora é feio, amanhã é belo. Faremos uma reflexão no seguinte: “Nós fotógrafos, fotografamos... quem vende é o mercado e quem impõe os padrões e formatos de beleza é a mídia.”
Ficamos aqui de encerramento, as palavras sábias de uma escritora:
“Tirar uma foto, é ter interesse pelas coisas como elas são, pela permanência do status quo (pelo menos enquanto for necessário para tirar uma “boa”foto), é estar em cumplicidade com o que quer que torne um tema interessante e digno de se fotografar – até mesmo, quando for esse o foco de interesse, com a dor e a desgraça de outra pessoa."
Susan Sontag


17:14
Rafael Habermann
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