Vamos nos colocar profundamente que para fotografar precisamos estar presente do acontecimento. Como nos fala-fala informais da vida, a bela fotografia “não posada” (fora dos estúdios com iluminação pensada e diversos recursos) é estar no lugar certo, na hora certa e com o equipamento certo. Isso atesta que a fotografia de qualquer modo é um certificado de presença, pois alguém esteve ali com um equipamento fotográfico e que executou um ou mais disparos contra a cena.
Acontece que a determinada cena capturada / construída através de um fotógrafo é detida de processos, sentimentos, conhecimentos, técnica, emoção e coleção de índices. A composição seja ela qualquer vai apontar coisas, formas, luzes, significações muitas vezes abstratas ou até mesmo encontramos índices que nada afirmam e só dizem “Alí” . Essas composições fotográficas são dotadas de pronomes e de certos adjetivos, principalmente demonstrativos (esse, essas, aqueles, aquelas, isto, aquilo ) ou de apresentativos ( aqui está, ali está ), ou ainda de certos advérbios de lugar ( aqui, lá ) ou até mesmo de tempo ( agora, anteriormente ).
Portanto essa composição fotográfica nada mais é do que um conjunto de índices apontados como de fato todo o estudo sobre o “Punctum” de Roland Barthes (mostra com o dedo). Então podemos de forma filosófica dizer que olhamos com as lentes e não deixamos de apontar com os dedos uma vez que disparamos sobre aquela imagem ali montada. Outro semiótico (Peirce) insiste nessa ambigüidade entre a semiótica e o digital fazendo um paralelo entre a mão e o indicador ( o qual disparamos para fotografar ) no fato de que o que foi fotografado tem haver também com o processo do disparo, sendo assim fundamental a participação do dedo indicador na concepção fotográfica.
Fica aqui dado a importância da do dedo indicador, na concepção das imagens ali contidas em um cartão de memória ou até mesmo um rolo de filmes que os fotógrafos, ou ditos fotógrafos contemporâneos lembram-se das cores ou das formas e não param para pensar nos processos.
Abaixo encerro com duas citações profundas sobre o disparo e a essência da fotografia.
“Para mim o órgão do fotógrafo não é o olho (ele me aterroriza), é o dedo: o que está ligado ao disparador da objetiva, ao deslizar metálico das placas... adoro esses ruídos [esse gesto] de maneira quase voluptosa.” Roland Barthes
“No temor do momento inelutável em que o indicador recurvado e rijo vai se apoiar nos disparador (...), na brutalidade do golpe de polegar que faz o filme progredir de chapa em chapa, o que é bem sentido pela falange (...), acorrentando desesperadamente foto após foto, como nessa corrida sem cessar retida que faz com que, logo após ter tido prazer no amor, só se pense em voltar àquilo , já tenso com relação ao novo momento em que a plena carga mais uma vez estará em jogo ...” Denis Roche.


18:12
Rafael Habermann
1 comentários:
Muito bom! Estamos em boas mãos.
Parabéns Rafael Habermann!
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