FOTOGRAFIA E A DISCUSSÃO DO QUE É BELO
O discutir do “belo” é ser inteligente para antes de qualquer menção, colocar que se algo foi fotografado, é porque foi atribuído uma certa importância. Para a beleza não há valor e nem importância mais para um que para outro. Uma foto ou uma obra de arte seja ela qualquer, já foi tratado com pouco caso por Andy Warhol...
Fotojornalismo, violência e arte
A ação de tornar comum ver imagens de sofrimento / violência ocorre ao fato de que depois que viu as ditas “imagens fortes” pela primeira vez, o estarrecimento já ocorrera e o impacto deixa de ser o primeiro. Um evento / tragédia seqüenciada por fotos, é mais bem compreendida que apenas decifrada por texto.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
O prazer de fotografar e o sentimento na ponta dos dedos
18:12
Rafael Habermann
Vamos nos colocar profundamente que para fotografar precisamos estar presente do acontecimento. Como nos fala-fala informais da vida, a bela fotografia “não posada” (fora dos estúdios com iluminação pensada e diversos recursos) é estar no lugar certo, na hora certa e com o equipamento certo. Isso atesta que a fotografia de qualquer modo é um certificado de presença, pois alguém esteve ali com um equipamento fotográfico e que executou um ou mais disparos contra a cena.
Acontece que a determinada cena capturada / construída através de um fotógrafo é detida de processos, sentimentos, conhecimentos, técnica, emoção e coleção de índices. A composição seja ela qualquer vai apontar coisas, formas, luzes, significações muitas vezes abstratas ou até mesmo encontramos índices que nada afirmam e só dizem “Alí” . Essas composições fotográficas são dotadas de pronomes e de certos adjetivos, principalmente demonstrativos (esse, essas, aqueles, aquelas, isto, aquilo ) ou de apresentativos ( aqui está, ali está ), ou ainda de certos advérbios de lugar ( aqui, lá ) ou até mesmo de tempo ( agora, anteriormente ).
Portanto essa composição fotográfica nada mais é do que um conjunto de índices apontados como de fato todo o estudo sobre o “Punctum” de Roland Barthes (mostra com o dedo). Então podemos de forma filosófica dizer que olhamos com as lentes e não deixamos de apontar com os dedos uma vez que disparamos sobre aquela imagem ali montada. Outro semiótico (Peirce) insiste nessa ambigüidade entre a semiótica e o digital fazendo um paralelo entre a mão e o indicador ( o qual disparamos para fotografar ) no fato de que o que foi fotografado tem haver também com o processo do disparo, sendo assim fundamental a participação do dedo indicador na concepção fotográfica.
Fica aqui dado a importância da do dedo indicador, na concepção das imagens ali contidas em um cartão de memória ou até mesmo um rolo de filmes que os fotógrafos, ou ditos fotógrafos contemporâneos lembram-se das cores ou das formas e não param para pensar nos processos.
Abaixo encerro com duas citações profundas sobre o disparo e a essência da fotografia.
“Para mim o órgão do fotógrafo não é o olho (ele me aterroriza), é o dedo: o que está ligado ao disparador da objetiva, ao deslizar metálico das placas... adoro esses ruídos [esse gesto] de maneira quase voluptosa.” Roland Barthes
“No temor do momento inelutável em que o indicador recurvado e rijo vai se apoiar nos disparador (...), na brutalidade do golpe de polegar que faz o filme progredir de chapa em chapa, o que é bem sentido pela falange (...), acorrentando desesperadamente foto após foto, como nessa corrida sem cessar retida que faz com que, logo após ter tido prazer no amor, só se pense em voltar àquilo , já tenso com relação ao novo momento em que a plena carga mais uma vez estará em jogo ...” Denis Roche.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Sobre fotografia
15:14
Rafael Habermann
Antes de qualquer coisa quero deixar aqui bem esclarecido que os textos aqui colocados são para fins de estudo e pesquisa no que diz respeito a fotografia bem como o seu feitio não tendo a intenção de ofender, menosprezar nem mesmo prejudicar o mercado que segue em grande expansão.
Muito se fala sobre fotografia. Na internet vemos o constante crescimento de fotógrafos amadores se descobrindo na vida profissional e levando a fotografia como meio de vida. A questão que iremos abordar neste primeiro momento é uma análise de alguns trechos do livro “O Ato Fotográfico” Philippe Dubois – 11ª Edição – Ed. Papirus.
“Contudo todos sabem que de uma imagem fotográfica é possível tirar centenas e até milhares de cópias. Não nos disseram o suficiente que a foto era por excelência a imagem multiplicável e serial, não foi sublinhado o suficiente que a fotografia a era da reprodutibilidade técnica das imagens.”
Isso vai implicar em dizer que a partir do momento em que a imagem fotográfica capturada abre as portas para essa possibilidade de reprodução, pensamos a partir de então que essas cópias são tiradas de um mesmo negativo ( de uma mesma captura seja ela digital // no dado momento o autor cita os negativos analógicos ) pode se concretizar de que esse negativo citado é a fotografia e única. “A fotografia é sempre única: Só poderá haver um único de um mesmo objeto e num determinado momento.”
Quero transpor aqui, que se analisarmos essa explosão fotográfica que ocorre em todo o mundo, certamente é pela acessibilidade aos mecanismos de captura. Seja ela através de um celular ou até mesmo através de diversos tipos de câmeras cada vez mais acessíveis. Esse acesso à tecnologia e a facilidade em poder disparar dispositivos de capturas de imagem, fez com que a comodidade e a praticidade chegassem aos fotógrafos, buscando louváveis resultados – Não entendendo como aquilo se compôs.
Fotógrafos devem refletir sobre fotografia em: FAZER e SABER O QUE ESTÃO FAZENDO.
Nota-se que há uma grande lacuna a ser preenchida em muitos que buscam resultados e não respostas às inquietações dos materiais produzidos e acompanhados de elogios e muito bem interpretadas no post de um fotógrafo que sigo e repostou em seu micro blog com os seguintes dizeres: “ quer acabar com metade dos atuais "fotógrafos" do mercado? Tira o display LCD de trás das câmeras! ” ( Clicio Barroso Filho )
Encerrando esse primeiro post sobre fotografia, quero colocar uma reflexão como desfecho deste breve texto, sobre a reprodutibilidade técnica da fotográfia dos antigos negativos citados no livro dos quais faz parte do meu estudo:
“As cópias em positivo são de fato apenas fotos de fotos, “metafotos,” imagens em segundo grau, que testemunham simplesmente que em fotografia não existe reprodução, ou re-produção. A fotografia como tal, captada em seu princípio – a impressão, o negativo, a foto polaróide, o daguerreótipo etc. – é sempre necessariamente singular!” “O Ato Fotográfico” Philippe Dubois – Pág 73
Até mais!

