Uma camera nas mãos de uma pessoa faz com que ela decida até por uma vida em determinadas situações assim ilustrado por Susan Sontag e comentado por mim.
“Um anuncio de página inteira mostra um pequeno grupo de pessoas de pé, apertadas umas contra as outras, olhando para fora da foto, e todas, exceto uma, parecem espantadas, empolgadas, aflitas. O único que tem uma expressão diferente segura uma câmera junto ao olho; ele parece seguro de si, quase sorrindo. Enquanto os demais são espectadores passivos, nitidamente alarmados, ter uma câmera transformou uma pessoa em algo ativo, um voyeur: só ele dominou a situação.”
Na citação acima, por se tratar de uma propaganda da “Leica” também trata-se do posicionamento de um evento, onde as pessoas boquiabertas são tomadas pelo acontecimento e o fotógrafo no seu ato quase que num ápice sexual consegue a captura do evento digno de se ver e consequentemente digno de fotografar.
Quero neste texto fazer uma observação de que já me peguei vibrando e sorrindo em determinadas fotos feitas por mim em situações que tive de fazer escolhas entre ver a cena e capturar a cena.
A atitude de fotografar intrinsecamente coloca o fotógrafo em tomadas de decisões mais categóricas como: interferir, invadir ou ignorar a cena. O fotógrafo deve-se projetar em um mundo por de trás das câmeras – o mundo de apenas observar e acionar disparos contra a cena na esfera da não intervenção bem retratada no fotojornalismo e interpretada de forma não-humanitária já que um fotógrafo tem de optar pela foto ou pela vida e ele opta pela foto como retratado no filme abaixo e que põe muita gente para pensar.
Não podemos apenas pensar em fotojornalismo, um exemplo de voyeurismo é a fotografia de natureza. Apesar de muita gente achar que é clichê ou bonitinho fotografar a vida selvagem, os fotógrafos principalmente os iniciantes devem ler muito antes de empunhar uma câmera e caçar ninhos de pássaros entre outros animais para obter um belo registro. A exemplo disso, depois de muita leitura sobre fotografia selvagem aventurei-me em fazer registros de uma família de corujas que habitam o acampamento (WWW.replago.com.br) no qual sou fotógrafo. Consegui belos registros e de forma segura das aves que por sua vez poderão de certa forma ser agressivas se interferidas de algumas formas.
No processo decisivo, o fotografo por sua vez deve ter interesse pelas coisas como elas são e não tentá-las fazer através da interferência como ilustra Susan Sontag:
“Tirar uma foto, é ter interesse pelas coisas como elas são, pela permanência do status quo (pelo menos enquanto for necessário para tirar uma “boa”foto), é estar em cumplicidade com o que quer que torne um tema interessante e digno de se fotografar – até mesmo, quando for esse o foco de interesse, com a dor e a desgraça de outra pessoa."


17:56
Rafael Habermann
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