sábado, 29 de janeiro de 2011

A decisão no ato fotográfico

No olho da Rua

Uma camera nas mãos de uma pessoa faz com que ela decida até por uma vida em determinadas situações assim ilustrado por Susan Sontag e comentado por mim.

“Um anuncio de página inteira mostra um pequeno grupo de pessoas de pé, apertadas umas contra as outras, olhando para fora da foto, e todas, exceto uma, parecem espantadas, empolgadas, aflitas. O único que tem uma expressão diferente segura uma câmera junto ao olho; ele parece seguro de si, quase sorrindo. Enquanto os demais são espectadores passivos, nitidamente alarmados, ter uma câmera transformou uma pessoa em algo ativo, um voyeur: só ele dominou a situação.”

Na citação acima, por se tratar de uma propaganda da “Leica” também trata-se do posicionamento de um evento, onde as pessoas boquiabertas são tomadas pelo acontecimento e o fotógrafo no seu ato quase que num ápice sexual consegue a captura do evento digno de se ver e consequentemente digno de fotografar.
Quero neste texto fazer uma observação de que já me peguei vibrando e sorrindo em determinadas fotos feitas por mim em situações que tive de fazer escolhas entre ver a cena e capturar a cena.

A atitude de fotografar intrinsecamente coloca o fotógrafo em tomadas de decisões mais categóricas como: interferir, invadir ou ignorar a cena. O fotógrafo deve-se projetar em um mundo por de trás das câmeras – o mundo de apenas observar e acionar disparos contra a cena na esfera da não intervenção bem retratada no fotojornalismo e interpretada de forma não-humanitária já que um fotógrafo tem de optar pela foto ou pela vida e ele opta pela foto como retratado no filme abaixo e que põe muita gente para pensar.

 

Não podemos apenas pensar em fotojornalismo, um exemplo de voyeurismo é a fotografia de natureza. Apesar de muita gente achar que é clichê ou bonitinho fotografar a vida selvagem, os fotógrafos principalmente os iniciantes devem ler muito antes de empunhar uma câmera e caçar ninhos de pássaros entre outros animais para obter um belo registro. A exemplo disso, depois de muita leitura sobre fotografia selvagem aventurei-me em fazer registros de uma família de corujas que habitam o acampamento (WWW.replago.com.br) no qual sou fotógrafo. Consegui belos registros e de forma segura das aves que por sua vez poderão de certa forma ser agressivas se interferidas de algumas formas.

No processo decisivo, o fotografo por sua vez deve ter interesse pelas coisas como elas são e não tentá-las fazer através da interferência como ilustra Susan Sontag:

“Tirar uma foto, é ter interesse pelas coisas como elas são, pela permanência do status quo (pelo menos enquanto for necessário para tirar uma “boa”foto), é estar em cumplicidade com o que quer que torne um tema interessante e digno de se fotografar – até mesmo, quando for esse o foco de interesse, com a dor e a desgraça de outra pessoa."

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